Existem muitos mitos ligados à queda de cabelo. Usar chapéus, um fluxo sanguíneo mais baixo no couro cabeludo e lavar os cabelos frequentemente com shampoo estão entre algumas das causas às quais ela é atribuída. Elas são, contudo, totalmente falsas e nenhum destes exemplos pode realmente resultar na queda de cabelo.

Talvez um dos mitos mais persistentes que tenham sido ligados à calvície é o de que ela é resultado de altos níveis de testosterona. Isso pode ser verdade até certo ponto, contudo, não é uma causa direta. Uma alta quantidade de testosterona não é um fator determinante. É somente a testosterona sendo usada como um componente no processo todo que por fim leva a causa da calvície.

A testosterona pode realmente influenciar a calvície?

 

A alopecia androgênica é uma condição da queda de cabelo que é ocasionada pela genética. Ela é conhecida por afetar cerca de setenta por cento dos homens e sessenta por cento das mulheres. Ela também é a mais comum entre todas as condições da calvície. A calvície de padrão masculino é caracterizada por entradas seguidas pela queda de cabelo na região do vértice do couro cabeludo. Isso resultará no topo do couro cabeludo ficando sem cabelo enquanto que apenas os lados mais baixos e a parte de trás da cabeça terão cobertura. A calvície de padrão feminino, por outro lado, não resultará em entradas, contudo, a região do vértice exibirá uma diminuição difusa dos fios. Ela irá progredir lentamente para fora e raramente resultará em uma exposição total do couro cabeludo.

Um processo específico e que ocorre somente na alopecia androgênica é a causa da queda de cabelo. Ele começa com a testosterona e a enzima 5-alpha-redutase se combinando para formar um hormônio mais potente chamado de di-hidrotestosterona (DHT). A DHT então se funde aos receptores andrógenos encontrados nas pontas dos folículos capilares. Esta união cria uma barreira entre os folículos capilares e o suprimento sanguíneo rico em nutrientes. Como resultado, ele não recebe as vitaminas e minerais essenciais para o seu crescimento. Isso faz com que ele encolha lentamente até que as hastes capilares diminuam de comprimento e circunferência a cada ciclo de crescimento capilar que ocorre. Por fim um cabelo fino resultará, antes que ele pare de produzir os cabelos de vez.

Esta é a razão pela qual a testosterona é nada além de um fator isolado na queda de cabelo. Ela é apenas um componente necessário para criar a DHT. A testosterona por si só não leva a calvície. A real causa da alopecia androgênica é a taxa de atração entre os receptores andrógenos dos folículos capilares e a DHT. Na verdade, nenhuma queda de cabelo ocorrerá mesmo com altos níveis de DHT no corpo se ele não puder se ligar aos receptores andrógenos. E se a testosterona não puder se unir a enzima 5-alpha-redutase? Não haveria nenhuma DHT sendo produzida que poderia efetivamente bloquear a passagem dos nutrientes para o folículo capilar.

O tipo de calvície que tem qualquer relação com a testosterona está restrito a alopecia androgênica. Existem várias outras circunstâncias que podem levar a queda de cabelo. Isso então desmistifica o mito de que a testosterona pode realmente influencias a calvície. Ela não é encontrada em outras condições da calvície nem é a principal razão pela queda de cabelo, mas apenas um componente.

Um medicamento popular para tratar a alopecia androgênica é a finasterida. Ela é classificada como uma droga inibidora da 5-alpha-redutase que bloqueia a testosterona para que ela não se una a esta enzima. Como resultado, a formação da DHT é minimizada. A taxa de atração entre ela e os receptores andrógenos, contudo, permanece a mesma. Apesar de ser provada como sendo efetiva, a finasterida também pode causar reações adversas. Os efeitos colaterais conhecidos são a impotência e a baixa contagem de esperma, que podem continuar a persistir mesmo que a pessoa deixe de usar este medicamento.